sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Pensando em nosso triunfo

TRIUNFANDO SOBRE AS TEMPESTADES DA VIDA

O Evangelho de Marcos 4.35-41 registra o episódio da tempestade enfrentada pelos discípulos no Mar da Galiléia. Nessa ocasião, Jesus estava no barco, dormindo, quando os discípulos foram surpreendidos por um forte vendaval. Os discípulos, apavorados, acordaram a Jesus, clamaram por socorro, e ele acalmou a tempestade, exortou os discípulos e eles, então, ficaram admirados com seu poder. Essa passagem encerra algumas oportunas lições, que passaremos a considerar:

1. As tempestades da vida são inevitáveis

Assim como os fenômenos da natureza acontecem com freqüência, também as tempestades da vida nos atingem, mesmo quando nós não as esperamos. As tempestades da vida acontecem ao arrepio da nossa vontade e muitas vezes, colocam a nossa vida de ponta-cabeça. As tempestades chegam para todos: grandes e pequenos, jovens e velhos, doutores e analfabetos, crentes e descrentes. A vida não é um parque de diversões, mas a travessia de um mar revolto. A vida cristã não é um cruzeiro num confortável navio, singrando águas plácidas, mas uma viagem cheia de aventuras, onde não faltam os ventos contrários e as ondas revoltas.

2. As tempestades da vida são imprevisíveis
As tempestades chegam de súbito, inesperadamente. Elas não mandam aviso, não enviam telegrama, chegam repentinamente, agitando nossa vida, encrespando as ondas que nos assustam e nos assolam com desmesurado rigor. O Mar da Galiléia é um lago de águas doces de vinte e um quilômetros de comprimento por quatorze quilômetros de largura. Esse grande lago é encurralado pelas montanhas de Golã. No extremo norte, fica o Monte Hermom, a mais alta montanha de Israel, cujo cimo está sempre coberto de gelo. Com certa freqüência, os ventos gelados descem desse monte e encurralados pelas montanhas de Golã, batem na superfície do lago, levantando ondas gigantes. É assim também na vida. As tempestades nos colhem de surpresa: é uma doença súbita, é um acidente trágico, é um divórcio traumático, é um luto doloroso.

3. As tempestades da vida são inadministráveis
Os discípulos conheciam o Mar da Galiléia como poucos. Alguns deles eram pescadores e haviam nascido e crescido ao redor daquele lago. Dali eles tiravam o seu sustento. Mas o que era tão familiar para eles, tornou-se uma ameaça. Quando a tempestade chegou, eles tentaram escapar do perigo, remando com toda destreza, mas o barco estava se enchendo de água. Seus recursos foram insuficientes para resolver o problema. O barco não obedecia mais o comando deles. A tempestade os assolava impiedosamente e eles perderam o controle da situação. O vento chicoteava com violência o barco e as ondas se arremessavam contra eles para levá-los ao naufrágio. Muitas vezes, temos a sensação de que os problemas que nos afligem são como essa tempestade. A situação se agrava, perdemos o controle, o barco da nossa vida fica à deriva. As tempestades da vida são, também, inadministráveis.

4. As tempestades da vida são pedagógicas

Mesmo quando a tempestade foge do nosso controle, ela está sob o controle de Jesus. Aquele que está conosco tem autoridade sobre o vento e sobre o mar. As tempestades da nossa vida não vêm para nos destruir, mas para nos ensinar. Elas não acontecem à revelia, elas são instrumentos pedagógicos para nos fortalecer na fé. Jesus tem todo poder para acalmar não apenas a tempestade que está do lado de fora; mas, também, os vendavais do medo que estão dentro de nós. Jesus acalma não apenas as circunstâncias, mas, também, os nossos sentimentos. Nessa travessia do mar revolto da vida precisamos ter fé e não medo, sabendo que Jesus é fiel para cumprir suas promessas. Nosso destino é o outro lado do mar e não o naufrágio. Ele está conosco e podemos desfrutar da sua paz mesmo quando as ondas encapeladas berram aos nossos ouvidos. Ele é todo poderoso e aquilo que nos amedronta está literalmente debaixo dos seus pés. O Senhor não desperdiça sofrimento na vida dos seus filhos. A tempestade vem para que vejamos o seu livramento e saibamos que ele é Deus, digno de ser adorado.


Rev. Hernandes Dias Lopes

domingo, 26 de julho de 2009

25 diferenças entre pastores e lobos

1- Pastores cultivam o aprisco; lobos criam armadilhas.
2- Pastores buscam o bem das ovelhas; lobos buscam os bens das ovelhas
.3- Pastores vivem à sombra da cruz; lobos vivem à sombra de holofotes.
4- Pastores choram pelas suas ovelhas; lobos fazem suas ovelhas chorar.
5- Pastores têm autoridade espiritual; lobos são autoritários e dominadores.
6- Pastores têm esposas participantes; lobos têm mulheres coadjuvantes.
7- Pastores têm fraquezas; lobos são poderosos.
8- Pastores olham nos olhos; lobos contam cabeças.
9- Pastores são ensináveis; lobos são donos da verdade.
10- Pastores têm amigos; lobos têm admiradores.
11- Pastores vivem o que pregam; lobos pregam o que não vivem.
12- Pastores sabem orar no secreto; lobos só oram em público.
13- Pastores vivem para suas ovelhas; lobos se abastecem das ovelhas.
14- Pastores vão para o púlpito; lobos vão para o palco.
15- Pastores se interessam pelo crescimento das ovelhas; lobos se interessam pelo crescimento das ofertas.
16- Pastores alimentam as ovelhas; lobos se alimentam de ovelhas.
17- Pastores buscam a discrição; lobos se autopromovem.
18- Pastores usam as Escrituras como texto; lobos usam as Escrituras como pretexto.
19- Pastores se comprometem com o projeto do Reino; lobos têm projetos pessoais.
20- Pastores vivem uma fé encarnada; lobos vivem uma fé espiritualizada.
21- Pastores ajudam as ovelhas a se tornarem independentes de homens; lobos criam ovelhas dependentes deles.
22- Pastores são simples e comuns; lobos são vaidosos e especiais.
23- Pastores tem dons e talentos; lobos tem cargos e títulos.
24- Pastores dirigem igrejas-comunidades; lobos dirigem igrejas-empresas.
25- Pastores pastoreiam as ovelhas; lobos seduzem as ovelhas.

Que estas sabias palavras nos levem mais alto e ao ponto de refletir sobre nossa vida em Cristo

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Colocando a barba de molho...Vale a pena dar uma lida

Cansado de ver seus sermões caírem no vazio, um pastor resolveu dar uma lição inesquecível aos seus ouvintes.
Num dos cultos semanais mais concorridos, ele subiu ao púlpito com seu aparelho de barbear, bacia, água, espuma, caneca, espelho e toalha. Nem sequer cumprimentou a igreja e, tranqüilamente, colocou água na bacia, testou a temperatura, ajeitou o espelho, pegou uma caneca, fez espuma, passou na cara, e começou a se barbear. Gastou vários minutos nisso, que pareceram uma eternidade para os presentes.
Ao final, quando todos esperavam que o pastor fosse fazer um desfecho maravilhoso, fosse lhes apontar o "moral da história", ele simplesmente enxugou o rosto com a toalha, encerrou o culto e despediu o povo de volta para as suas casas. Aquela semana foi atípica. O povo comentou o fato todos os dias, tentado adivinhar o significado de tudo aquilo: "-Que mensagem ele quer nos passar?", "-Qual é o simbolismo espiritual da água, do sabão, do barbear-se?"
Dias depois, quando ele subiu novamente àquele púlpito, a igreja estava cheia. O pastor olhou para a congregação e disse-lhes:
- Sei que vocês querem saber o significado do que fiz aqui neste púlpito na semana passada. Bem, eu vou lhes dizer: não há significado algum! Nenhum simbolismo. Nenhum desfecho maravilhoso. Nenhuma mensagem. Nenhum "moral da história".
- No entanto, se podemos tirar alguma lição disto tudo, é a seguinte: Há anos eu venho apresentando para vocês a mensagem bíblica, da necessidade de nascer de novo ganhar um novo coração, crer na morte de Cristo como minha ou seja nossa morte e também sua ressurreição sendo nossa ,levar por toda parte o morrer de Jesus para que sua vida se manifesta em seus corpos mortais mas não tenho visto nenhuma mudança em suas vidas. Minhas mensagens têm caído no esquecimento, tão logo vocês saem do nosso local de reunião . Eu gostaria que vocês comentassem meus sermões durante a semana, do mesmo modo que se dispuseram a comentar o meu barbear nestes últimos dias, ou será que a minha barba é mais importante para vocês que a Palavra de Deus?

Intimidade com Cristo!!!

Boaz e Rute: uma Figura de Cristo na Sua Igreja

O livro de Rute fala do romance de Boaz e Rute. Rute foi trazida de Moabe para Canaã, passou a viver na terra prometida, que mana leite e mel, e chegou até o campo de Boaz. É uma história linda sobre uma intimidade intensa que tipifica a intimidade com Cristo, a união com Cristo. Tomando as palavras de Paulo, observamos que o livro de Rute utiliza, nos primeiros dois capítulos, “Paulo em Cristo” e, nos dois últimos “Cristo em Paulo”. Boaz e Rute, respectivamente podem representar Cristo e o cristão. Na linguagem neotestamentaria, Rute, nos campos de Boaz, na terra de Canaã, tipifica Paulo em Cristo. Paulo, como Rute, apanhando as espigas no campo, desfrutava das riquezas de Boaz. À medida que vemos o campo, descobrimos quão rico é o Mestre; quanto mais experimentamos, mais nos surpreendemos com as riquezas da terra e dizemos que Paulo está em Cristo. A Segunda parte da história relata o casamento de Boaz e Rute. Em meio à intensa intimidade e relacionamento matrimonial, enquanto caminhava por aqueles campos novamente, Rute sentia-se outra pessoa. Antes de seu casamento com Boaz, ela dizia: “Este campo pertence a Boaz; estou desfrutando da sua plenitude. Oh! Que maravilhoso é estar nesta terra! Porém, depois de sua maravilhosa união com Boaz, ela diria: “Toda esta riqueza é minha, toda esta terra de Canaã é minha”. Antes, Rute estava na terra; após seu casamento com Boaz, porém, a terra estava nela por meio daquela maravilhosa união. Por isso podia dizer: “Tudo o que pertence a Boaz pertence a mim”.

O mesmo se dá com a fórmula “Paulo em Cristo”. Ele desfrutava da presença do Senhor. Quando estudava a Palavra, era como se estivesse colhendo nos campos de Boaz e dissesse: Oh! O meu Senhor é maravilhoso, esta é uma terra muito boa”. Graças a Deus, devido àquela maravilhosa união, Cristo estava em Paulo e tudo de Cristo pertencia a ele. Essa é a união com Cristo, o alicerce da vida cristã.

Texto extraído do livro: União Com Cristo - Um vislumbre do Livro de Rute.

sábado, 21 de março de 2009

Um surpreendente confissão

Confissões de Lúcifer

Depois de passar 6.000 anos vagueando pela Terra, aprendi muito da natureza humana, suas fraquezas, virtudes e seus desejos mais secretos. Tenho consciência que minha causa foi derrotada, entretanto estou trabalhando freneticamente para levar ao destino que me aguarda o maior número possível de pessoas, pois sei que pouco tempo me resta [1].
Não é fácil a vida de um adversário do Todo Poderoso, principalmente porque Ele conta com um exército fiel espalhado pelo mundo inteiro que com suas orações produzem uma reviravolta em todo mal que intento. Felizmente são poucos os que oram de verdade, porque a maioria está mais preocupada consigo mesma, outros começam bem, me incomodam, mas logo desistem, pois não têm perseverança.
Fico admirado com o fascínio que exerço sobre alguns crentes, que falam mais de mim que de Deus. Rio muito quando eles tentam me amarrar, e dizem que naquela cidade eu não entro mais. Pois acaba a oração e eu continuo fazendo as mesmas estripulias. O que esses cristãos não entendem é que não devem lutar contra mim, mas buscar Aquele que tem mais poder que eu. Quando eu quase destruí a vida de Jó, ele não me dirigiu uma palavra sequer, mas dizia o tempo todo que sua causa estava diante de Deus, e que o seu Redentor vive. Quando humilhei Paulo colocando-lhe um espinho na carne, ele não tentou me acorrentar, mas apresentou sua fraqueza a Deus, que lhe deu vitória. Sinceramente, com gente assim não dá pra lutar.
Tenho prazer especial em atormentar esses que ficam preocupados comigo o dia todo. Eles dizem que me vêem em todos os lugares, até onde eu nem estou…. é muito engraçado. Com tais eu nem me previno, pois sei que são cristãos inseguros da fé que dizem possuir. Eles fazem parte daquele grupo que faz uma boa propaganda de mim, pois julgam que possuo muito mais poder do que realmente tenho e afirmam que fiz coisas das quais nada tive a ver. Na verdade, eu sou um pobre diabo, condenado e derrotado, mas da forma que falam, é como seu fosse onisciente e onipotente. Será que eles não sabem que eu não posso fazer absolutamente nada sem a permissão do Todo Poderoso? Ah, se não fosse por Ele…. mas, tudo bem, a propaganda é a alma do negócio.
Sou constantemente acusado de tirar muita gente da igreja. É mentira! Eles saem por que são levados pelos seus próprios interesses. Não fui eu quem instigou o filho pródigo a sair da casa do pai [2] e Demas abandonou o apóstolo Paulo porque amou mais o mundo do que a Deus [3].
Não tenho pretensão de tirar ninguém da igreja, pelo contrário. Quero deixá-los lá, pois farei de tudo para que sejam frios, apáticos, que fiquem brigando entre si por bobagem, que se dividam, e façam panelinhas entre eles. No que depender de mim farei com que tenham uma vida tão miserável, que quando forem evangelizar ninguém vai querer ter uma vida igual a deles. Outra estratégia que uso muito é a de fazer com que os valores da igreja se pareçam cada vez mais com o mundo, pois assim quando as pessoas passarem a freqüentá-la, elas não precisarão mudar nada, e continuarão fazendo as mesmas coisas de antes. Não é genial?
Adoro soprar mentiras nos ouvidos das pessoas, afinal quero fazer jus ao meu nome de “pai da mentira”. É, eu digo-lhes que são como gafanhotos e eles acreditam, digo-lhes que são uns derrotados e eles nem se levantam da cama, digo-lhes que Deus não os perdoou por tal e tal pecado e eles ficam cheios de culpa.
Confesso também que sinto um enorme prazer em oprimir aqueles que se recusam a perdoar ao seu irmão, pois recebi carta branca do Todo Poderoso para atormentá-los com toda sorte de espíritos malignos [4], dos quais eu sou o principal. E não ponham a culpa em mim, pois só posso fazer isso se o cristão recusar a liberar perdão, pois quando ele perdoa é horrível a sensação de paz daquele coração, e eu saio correndo dali.
Acho muito engraçado quando usam sal grosso e oração forte contra mim. Nem ligo. Agora, o que eu temo mesmo é uma vida santificada. Contra um crente santificado, fiel e que tem a Palavra guardada no coração, desse eu fujo [5].
Como minha hora se aproxima eu estou trabalhando num projeto grandioso para este século. É uma estratégia tão ardilosa que são poucos os que a percebem. Todos buscam uma divindade para adorar, por isso eu estou dando “Deus” de todos os tipos e para todos os gostos. Eu estou enchendo o mundo de “Deus” para que eles fiquem tão confundidos que não saibam quem é o verdadeiro. Cada um pode ter o seu, do jeito que quiser. Vocês não imaginam como o povo gosta dessas novidades. Tenho queimado as pestanas inventando sacrifícios, novos rituais, e tenho levantado líderes que falam muito de Jesus, mas são meus súditos. Adoro soprar ventos de doutrinas porque os meninos na fé acreditam em tudo.
O meu objetivo com isso? Confundi-los e fazê-los imaginar que estão servindo a Deus. Agora, eu não aceito levar a culpa de tudo sozinho – eu só dou o que eles querem. Eles gostam do brilho, eles buscam glória pra si, eles crêem em todas as formas de misticismo, e eu nunca imaginei que esse povo gostasse tanto de ídolos. Séculos atrás lhes dei um bezerro de ouro, mas agora eles querem ídolos que cantam, que pregam, que profetizam….
Muitos falam que eu sou feio, e até pintam quadros horríveis dizendo que eu tenho chifres, pêlos e cara de bode. Desde a minha criação sou muito vaidoso e jamais aceitaria ser desta forma. Se vocês ouvissem aquele tal apóstolo Paulo saberiam como eu sou de verdade – sempre fui um anjo de luz, fala mansa, voz agradável, boa aparência e muito convincente [6]. Felizmente são poucos os que me reconhecem.
Para terminar, eu quero dizer a todos que não sou ateu ou agnóstico. Eu creio e tremo diante de Deus [7]. Mas eu não consigo, não consigo me submeter. Submissão significa obediência, e eu não quero ser servo. Aliás, tem muita gente indo comigo que também crê em Deus, pratica seus atos religiosos, freqüenta igreja, e é dessa mesma opinião.
Servo de Deus

[1] Ap 12.12
[2] Lc 15.12
[3] 2Tm 4.10
[4] Mt 18.34-35
[5] Tg 4.7
[6] 2Co 11.14
[7] Tg 2.19

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Os 3 leões "Uma ilustração edificante"



Numa determinada floresta havia 03 leões. Um dia o macaco, representante eleito dos animais súditos, fez uma reunião com toda a bicharada da floresta e disse:
- Nós, os animais, sabemos que o leão é o rei dos animais, mas há uma dúvida no ar: existem 03 leões fortes. Ora, a qual deles nós devemos prestar homenagem? Quem, dentre eles, deverá ser o nosso rei?
Os 03 leões souberam da reunião e comentaram entre si:
- É verdade, a preocupação da bicharada faz sentido, uma floresta não pode ter 03 reis, precisamos saber qual de nós será o escolhido. Mas como descobrir?
Essa era a grande questão: lutar entre si eles não queriam, pois eram muito amigos.
O impasse estava formado. De novo, todos os animais se reuniram para discutir uma solução para o caso. Depois de usarem várias técnicas de reuniões, eles tiveram uma idéia excelente. O macaco se encontrou com os 03 felinos e contou o que eles decidiram: - Bem, senhores leões, encontramos uma solução desafiadora para o problema. A solução está na Montanha Difícil.
- Montanha Difícil? Como assim?
- É simples, ponderou o macaco. Decidimos que vocês 03 deverão escalar a Montanha Difícil. O que atingir o pico primeiro será consagrado o rei dos reis.
A Montanha Difícil era a mais alta entre todas naquela imensa floresta. O desafio foi aceito. No dia combinado, milhares de animais cercaram a Montanha para assistir a grande escalada.
O primeiro tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.
O segundo tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.
O terceiro tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.
Os animais estavam curiosos e impacientes, afinal, qual deles seria o rei, uma vez que os 03 foram derrotados? Foi nesse momento que uma águia sábia, idosa na idade e grande em sabedoria, pediu a palavra:
- Eu sei quem deve ser o rei!!! Todos os animais fizeram um silêncio de grande expectativa.
- A senhora sabe, mas como? Todos gritaram para a águia.
- É simples, confessou a sábia águia, eu estava voando entre eles, bem perto e, quando eles voltaram fracassados para o vale, eu escutei o que cada um deles disse para a montanha.
O primeiro leão disse: Montanha, você me venceu!
O segundo leão disse: Montanha, você me venceu!
O terceiro leão também disse: Montanha, você me venceu, por enquanto! Mas você, montanha, já atingiu seu tamanho final, e eu ainda estou crescendo.
A diferença, completou a águia, é que o terceiro leão teve uma atitude de vencedor diante da derrota e quem pensa assim é maior que seu problema: é rei de si mesmo, está preparado para ser rei dos outros.
Os animais da floresta aplaudiram entusiasticamente ao terceiro leão que foi coroado rei entre os reis.


MORAL DA HISTÓRIA:

Não importa o tamanho dos problemas ou dificuldades que você tenha; seus problemas, pelo menos na maioria das vezes, já atingiram o clímax, já estão no nível máximo, mas você não. Você ainda não chegou ao limite de seu potencial e performance. A Montanha das Dificuldades tem tamanho fixo, limitado. E, lembrem daquele ditado: "Não diga a Deus que você tem um grande problema, diga ao problema que Você tem um GRANDE DEUS!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Uma carta escrita recentemente para Caio Fabio

DEUS” COMO DIABO E O DIABO COMO “DEUS”

Muita gente me escreve de fato na dúvida, querendo uma confirmação...
Outros, no entanto, escrevem querendo uma validação para o que já decidiram.
Outros ainda escrevem por estarem mesmo completamente perdidos, sem saber o que fazer.
Há ainda os que escrevem apenas por curiosidade, desejosos de apenas saberem o que digo, às vezes até para discutirem com outros...
Respondo a tudo o que consigo, com todo amor. Aliás, somente separar o tempo, no meio de tantas coisas, para responder cartas e cartas, creia, somente se for pela força do amor, pois, muitas vezes, a alma fica sem ânimo ante um trabalho sem fim.
Quando leio uma carta, em geral vejo que a própria carta já trás consigo a própria resposta que a pessoa carece.
Entretanto, a pessoa menciona a solução como problema ou impossibilidade da vontade de realizar.
Sim! A maioria sabe o que fazer, mas apenas não o deseja ou diz que não consegue por não querer conseguir.
Isto porque quando se está tomado pela força do desejo, da paixão, da fixação orgulhosa ou do egoísmo inflexível, fica-se cego para tudo aquilo que, de outra forma, saberíamos exatamente o que é e como proceder.
Ora, isto apenas mostra que grande parte do que nós chamamos “meu problema”, quase sempre deveria ser chamado apenas de “meu desejo”.
Então, nesse caso, estabelece-se a luta entre a consciência fragilizada e o desejo ou a idéia fixa; e, quase sempre o desejo vence para a problematização e a infernização da vida da pessoa.
Afora os problemas que envolvem circunstancias complexas ou problemas mentais, os demais são apenas caminhos criados pelo desejo.
E mais: quando não são criados pelo desejo são criados pela necessidade moldada pelo grupo a que se pertence, no caso, a “igreja”.
Sim! A maior parte dos problemas que aqui trato ou respondo, são problemas que decorrem do sexo reprimido, e que, uma vez solto, descaceta a pessoa e a põe como que ladeira abaixo... sem controle e de modo completamente compulsivo.
Então, quando não seja sexo o problema, no entanto, quase sempre os demais problemas decorrem da culpa herdada pelos excessos neuróticos da “igreja”.
Uma pessoa “de fora” lê as angustias aqui expressas por muitos, e não entende nada. Algumas me escrevem querendo saber se, caso se convertam, ficarão com aquelas mesmas seqüelas dos crentes.
Ao respondê-las sobre isto digo “não”.
Digo que dependerá do que a pessoa tiver na mente, de que grupo freqüente, e, sobretudo, de como se fundamente a fé da pessoa, se na Palavra de Deus ou nas doutrinas dos homens.
O fato é que o Evangelho mesmo, sozinho, sem “igreja” e sem “doutrinação moral”, jamais poderia fazer mal a ninguém.
E mais: sem os “pastores-lobos” ou sem os “pastores-perdidos”, nenhuma pregação do Evangelho criará nada na pessoa que não seja vida e paz.
Porém, o uso errado do Evangelho, misturado com toda essa confusão de “igreja”, adoece a alma tanto ou mais que uma boa macumba, posto que tudo seja feito em nome de Jesus, o que faz com que a alma se perturbe mais do que quando pratica a mentira em nome do diabo.
Macumba faz menos mal à mente do que uma crença cristã sem Deus.
Sim! Pois na macumba ninguém vai pensando em bondade ou em Deus. Lá tudo é como é; ou seja: existe a franqueza do objetivo maldoso e manipulador.
É melhor lidar com o diabo como diabo do que com o diabo como “Deus”, que é o que acontece na crença cristã sem Deus, sem Jesus e sem Evangelho.
Digo isto porque pior do que o diabo é “Deus” como um diabo.
Ora, a maioria dos crentes, na prática, lida com “Deus” como diabo e com o diabo como “Deus”.
“Deus” como diabo porque o “Deus” dos crentes é tão cheio de venetas malucas e perversas como um diabo.
Diabo como “Deus” porque o diabo dos crentes é, na prática, em geral mais poderoso do que “Deus”.
Assim, o “crente” segue oprimido por “Deus” e pelo diabo; e mais: pelo “diabo” dos “crentes”, que é mais poderoso do que o diabo real.
Ora, a maior dificuldade do Evangelho no coração dos crentes viciados em “Deus” como diabo e no diabo como “Deus” está no fato de que eles não sabem fazer a diferença.
Sim! Deus e o diabo se parecem muito na cabeça dos “crentes”.
Na maioria das vezes o que distingue um do outro é apenas o discurso, pois, na prática, eles, “Deus e o diabo”, se parecem muito.
Ora, tal ambigüidade e ambivalência em Deus e no diabo é o que faz a devoção dos crentes um exercício de medo e pânico.
Por isto os “crentes” não gostam de silencio, nem de quietude e nem de culto sem muita agitação, pois, no silencio mora a indefinição entre “Deus” e o “diabo”.
Se você não entendeu ainda nada, digo:
Quando você se converter entenderá então tudo o que estou dizendo e verá tudo com extrema clareza.
Até lá, todavia, fica a dúvida, a qual eu provoco em você na intenção de ver se sua mente fica livre do “Deus/diabo” e do “diabo/Deus”.

Pense nisto!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Poema lindo!!!

Desde Betânia

Desde Betânia, quando nos deixaste,Saudade imensa inundou meu ser.Não tenho mais tocado a minha harpa –Como tocar, se a Ti não posso ver?Na solidão da noite tão profunda,Fico em silêncio e calmo a meditarNessa distância, pois de mim tão longe estásE há quanto tempo prometeste regressar!

Sem lar, recordo Tua manjedoura,Olhando a cruz não posso me alegrar.E Tu me lembras o meu lar futuro,Mas é a Ti quem mais quero encontrar.Sem Ti não tem sabor minha alegria;Doçura, encanto, aos hinos vêm faltar,Vazios são meus dias, pois aqui não estás.Senhor, Te peço, não demores a voltar.

Embora aqui Tua presença eu goze,De Ti saudade estou sempre a sentir.Mesmo gozando o Teu amor imenso,Anseio pelo dia em que hás de vir.Mesmo na paz me sinto tão sozinho;Por Ti suspiro em meio do prazer.Jamais minha alma tem satisfação total,Pois o Teu rosto amado não consigo ver.

Com sua terra sonha o peregrino,Com sua pátria, o exilado, além.Distante, o noivo pensa em sua amada.De amados pais, saudade os filhos têm.Assim também anelo ver Teu rosto,Ó meu querido e amado Salvador.Ah! se eu pudesse, agora, a Tua face ver!Té quando esperarei por Ti, ó meu Senhor?

Tu lembras que buscar-me prometeste,E junto a Ti em breve me levar?Mas tantos dias e anos já passaram,Cansado estou e peço-Te lembrar.Tuas pegadas vejo tão distantes,E quanto tempo ainda vai passar?Ansioso clamo a Ti, e peço, ó Salvador:Oh, não demores! Vem, Senhor, me arrebatar.

O dia nasce e morre, e assim as noites.E quantos santos já não estão aquiTanto esperaram pela Tua volta,E há muito tempo estão dormindo em Ti.Ó meu Senhor, por que não Te manifestas?Espesso véu está a Te ocultar –Quantos remidos Teus estão a Te esperar!Será que a nossa espera não vai mais findar?

Sei que também anseias por voltaresE arrebatar os redimidos Teus.Por isso peço não mais demorares;Depressa vem levar-nos para Deus.Ó vem, Senhor, a Tua Igreja clama;Não ouves Tua Noiva a Te chamar?Olhando o céu, saudosa, diz a suspirar:“Amado Noivo, não demores a voltar!”

Aguardando a volta do Senhor Jesus...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Crescer e aumentar em amor



É impossível viver a vida conjugal sem amor. Mas não é qualquer tipo de amor que satisfaz. O amor limitado não garante a permanência dos cônjuges na "doença e na pobreza" porque é fraco, humano, e, portanto, incapaz de suportar os muitos problemas por que passam os casais nos dias de hoje. Para viver a vida conjugal, é necessário um amor especial - o amor de Deus. Paulo orou ao Senhor para que o amor dos jovens santos da igreja em Tessalônica pudesse crescer e aumentar (1 Tessalonicenses 4:9,10). Sabendo que a vida da igreja não podia ser vivida de forma orgânica e agradável, sem que estivessem, primeiramente, constituídos do amor divino, Paulo cuidou logo de orar por todos eles. A vida familiar, que inclui a vida conjugal, é um pequeno quadro da vida da igreja. Nela há necessidade de que o amor seja também cultivado. Para que a vida familiar possa ser conduzida em amor, é mister que os cônjuges estejam bem com o Senhor o que, naturalmente, contribuirá para que eles estejam bem um com o outro. Vale a pena notar a seqüência que Paulo estabeleceu quanto ao amor no livro de Tessalonicenses: no capítulo três, ele ora para que o amor cresça e aumente nos santos; no capítulo quatro, vemos a prática do amor; e no cinco, Paulo mostra o que fazer para o amor crescer e aumentar de modo que a vida conjugal torne-se um ambiente possível de convivência. No capítulo dezenove de Mateus, os casais estão dando carta de divórcio uns para os outros por banalidades porque não se apropriaram do amor que o Senhor revelou no capítulo dezoito. Eles achavam que viver a vida conjugal baseados no amor que é capaz de perdoar somente sete vezes fosse suficiente. Como já falamos, para se viver a vida conjugal, de um jeito que o homem não venha a se separar, o amor divino - o único tipo de amor que pode perdoar setenta vezes sete - é mais que necessário, é urgente. Foi o apóstolo João que revelou que Deus é amor, mas foi o apóstolo Paulo que revelou o caminho para amor crescer. Orar é o primeiro quesito importante na vida de um casal. Cuidado! Ao orar não pense que o foco dos problemas esteja em seu cônjuge. Inicialmente ore para que o Senhor transforme, em primeiro lugar, você. Vá diante do Senhor para receber luz. Não se preocupe tanto com as deficiências de seu cônjuge; simplesmente, coloque a mão em seu próprio peito; se ela ficar branca, indica que seu coração tem "lepra", não se turbe; o Senhor pode curar seu coração de toda mágoa, ira, ciúmes, egoísmo tudo que possa estar prejudicando seu casamento (Êxodo 3). Quando você se abre ao Senhor pela oração, o amor ilimitado de Deus começa a expandir os limites do amor humano, e o resultado dessa expansão, você dar graças ao Senhor pelo cônjuge que Ele lhe deu. Quando nos exercitamos na piedade, isto é, valorizamos profecias (a Palavra de Deus) e a comunhão com o Senhor em nosso Espírito mesclado (1 Coríntios 6:17), não permitindo que este venha a se apagar, desanimar ou mesmo esfriar-se, o amor Deus crescerá e aumentará em nós. Nesse ponto, trocaremos o mal pelo bem, as reclamações por orações e a tristeza por regozijo. Há sempre um efeito positivo quando experimentamos o Senhor!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Em extinção...

Pastor, uma espécie em extinção

Por: Débora Borel

Onde eles estão? Quem sabe onde podemos encontrar um bom pastor? Alguns dizem que eles estão extintos. Mas tenho tido notícias de homens e mulheres que sobem ao púlpito com este título.
Será somente um título!? Sim, porque títulos não geram abnegação, renúncia. Títulos não dobram joelhos nem curvam faces. Títulos podem até estender as mãos, desde que elas não voltem vazias. Títulos não amam, não cuidam sem interesse, não apascentam. Eles também não celebram a vitória de outros nem choram as suas dores.Posso afirmar então que nem todo que se diz pastor é Pastor. Pode ser apenas um título. Então onde estão os pastores? Esses homens e mulheres que não olham para suas ovelhas como números. Que, ao invés de invadir o aprisco de outro pastor, estão preocupados com aqueles que Deus lhes confiou e de estender o pastoreio sobre os que ainda não fazem parte do Seu rebanho (o de Deus). Onde estão os pastores que aprenderam com o Mestre Jesus que a chave da autoridade é a renúncia e a obediência? Esses pastores devem ter a mesma atitude de Jesus, que mesmo sendo Deus, não usurpou ser igual a Deus. Ele aprende a se ausentar de si mesmo no intuito de dar lugar a outro. Ele não é sobre-humano, mas super-humano, isto é, humano de verdade. Ele chora, confessa que está com medo, pede ajuda, não abre mão da verdade para agradar os fariseus de plantão. O pastor, segundo o modelo do mestre Jesus, não tem uma sabedoria pautada no conhecimento, mas no temor. Reconhece os olhos de Deus por todos os lugares e sabe que não pode se esquivar deste olhar. Alguém já disse que o Ministério Pastoral é um deserto. Talvez esteja aí a razão de não encontrarmos com facilidade bons pastores. Pois no deserto não há holofotes, há, sim, o sol escaldante na cabeça durante o dia e o frio cortante da noite. No deserto também não há aplausos, mas muitas murmurações de gente que questiona a fé, a autoridade que Deus delega e até o próprio Deus. Creio que alguns até iniciaram sua caminhada neste deserto, mas não puderam suportar a sensação do vazio, tão pouco o teste do coração.O que me consola é saber que o próprio Deus é quem investe neste Ministério, pois ainda que alguns desistam e outros sejam apenas um título, há aqueles que permanecem firmes e constantes, cumprindo sua carreira e guardando a fé. Posso concluir então que Deus não instituiria este sacerdócio sabendo que seria impossível o seu cumprimento. Sendo assim, quando Deus chamar alguém ao Ministério Pastoral e este iniciar a sua caminhada no deserto, deve estar atento à nuvem que o protege durante o dia e à coluna de fogo que o aquece à noite. Deve contar também com o maná que desce do céu e com os mananciais que brotam da rocha. Acima de tudo, deve ter muito cuidado com as queixas para que elas não tomem o lugar da voz de Deus.Aqueles que perseveram verão a glória de Deus. Serão testemunhas vivas da terra que produz leite e mel, tomarão posse da promessa e verão o Reino de Deus sendo estabelecido entre os povos. Que Deus nos ajude a achar esses pastores!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Um E-mail para o Apostolo Paulo



Amado apóstolo:

Estou escrevendo para colocá-lo a par da situação do Evangelho que um dia você ajudou a propagar para nós gentios, e que lhe custou a própria vida. As coisas estão muito difíceis por aqui. Quase tudo o que você escreveu foi esquecido ou deturpado.Você foi bastante claro ao despedir-se dos irmãos em Éfeso, alertando que depois de sua partida lobos vorazes penetrariam em meio à igreja, e não poupariam o rebanho [1]. Palavras de fato inspiradas, pois isso se concretiza a cada dia.Lembra-se que você escreveu ao jovem Timóteo, que o amor ao dinheiro era a "raiz de todos os males"[2]? Quero que saiba que suas palavras foram invertidas, e agora se prega que o dinheiro é a "solução" de todos os males.Também é com tristeza que lhe digo que em nossa época ninguém mais quer ser chamado de pastor, missionário ou evangelista, pois isso é por demais humilde: um bom número almeja levar o título de apóstolo. Sei que em seu tempo, os apóstolos eram "fracos... desprezíveis... espetáculo para os homens... loucos... sem morada certa... injuriados... lixo e escória" [3]. Agora é bem diferente. Trata-se de uma honraria muito grande: acercam-se de serviçais que lhes admiram, quando viajam exigem as melhores hospedarias e são recebidos nos palácios pelos governantes.Eles não costumam pregar seus textos, pois você fala muito da "Graça" e da "liberdade que temos em Cristo" [4]. Isso não soa bem hoje, pois a Igreja voltou à "teologia da retribuição" da Antiga Aliança (só recebe quem merece), e liberdade é a última coisa que os pastores querem pregar à suas ovelhas. Você não é bem visto por aqui, pois sempre foi muito humano, sem jamais esconder suas fraquezas: chegou até reconhecer contradições internas, dizendo que não faz o bem que prefere, mas o mal, esse faz [5]. Eles não gostam disso, pois sempre se apresentam inabaláveis e sem espinhos na carne como você. A presença deles é forte, a sua fraca [6], eles são saudáveis, você sofria de alguma coisa nos olhos [7], eles jamais recomendariam a um irmão tomar remédio, como você fez com Timóteo [8], mas aqui eles oram e determinam a cura – coisa que você nunca fez.Você dizia que por amor de Cristo perdeu "todas as cousas" considerando-as refugo [9]. As coisas mudaram, irmão. Agora cantamos: "Restitui, quero de volta o que é meu!". Vivo em uma cidade que recebeu o seu nome, e aqui há um apóstolo que após as pregações distribui lencinhos vermelhos encharcados de suor, e as pessoas levam pra casa, como fizeram em Éfeso, imaginando que afastarão enfermidades [10]. Sim, eu sei que você nunca ordenou isso, nem colocou como doutrina para a igreja nas epístolas, mas sabe como é o povo.... Admiro sua coragem por ter expulsado um "espírito adivinhador" daquela jovem [11], embora isso tenha lhe custado a prisão e açoites. Você não se deixou enganar só porque ela acertava o prognóstico. Hoje há uma profusão de pitonisas e prognosticadores no meio do povo de Deus, todavia esses espíritos não são mais expulsos, ao contrário, nos reunimos ansiosos para ouvir o que eles têm a dizer para nós. Gostaria de ter conhecido os irmãos bereanos que você elogiou. Infelizmente, quase não existem mais igrejas como as de Beréia, que recebam a palavra com avidez e examinem as Escrituras "todos os dias para ver se as coisas são de fato assim"[12].Tem hora que a gente desanima e se sente fragilizado como Timóteo, o seu companheiro de lutas. Mas que coisa bonita foi quando você o reanimou insistindo para que reavivasse "o dom de Deus" que havia nele [13]. Estou lhe confessando isso, pois atualmente 90% dos pregadores oferecem uma "nova unção" para quem fraqueja. Amo esta sua exortação, pois você ensina que dentro de nós já existe o poder do Espírito, dado de uma vez por todas, e não precisamos buscar nada fora ou nada novo! Nossos cultos não são mais como em sua época, onde a igreja se reunia na casa de um irmão, havia comunhão, orações, e a palavra explanada era o prato principal.... as coisas mudaram: culto agora é como fosse um show, a fumaça não é mais da nuvem gloriosa da presença de Deus, mas do gelo seco, e a palavra é só para ensinar como conseguir mais coisas do céu. O Espírito lhe revelou que nos últimos tempos alguns apostatariam da fé "por obedecerem a espíritos enganadores" [14]. Essa profecia já está se cumprindo cabalmente, e creio que de forma irreversível. Amado apóstolo, sinto ter lhe incomodado em seu merecido descanso eternal, mas eu precisava desabafar. Um dia estaremos todos juntos reunidos com a verdadeira Igreja de Cristo.


Maranata!

Pr. Daniel Rocha

1= At 20.23

[2] 1Tm 6.10[3] 1Co 4.-9-13[4] Gl 2.4[5] Rm 7.19[6] 2Co 10.10[7] Gl 4.13-15[8] 1Tm 5.23[9] Fp 3.8[10] At 19.12[11] At 17.18[12] At 17.11[13] 2Tm 1.6[14] 1Tm 4.1

sábado, 3 de janeiro de 2009

Para quem ainda não está cansado!



Cansei!

Entendo que o mundo evangélico não admite que um pastor confesse o seu cansaço. Conheço as várias passagens da Bíblia que prometem restaurar os trôpegos. Compreendo que o profeta Isaías ensina que Deus restaura as forças do que não tem nenhum vigor. Também estou informado de que Jesus dá alívio para os cansados. Por isso, já me preparo para as censuras dos que se escandalizarem com a minha confissão e me considerarem um derrotista. Contudo, não consigo dissimular: eu me acho exausto.Não, não me afadiguei com Deus ou com minha vocação. Continuo entusiasmado pelo que faço; amo o meu Deus, bem como minha família e amigos. Permaneço esperançoso. Minha fadiga nasce de outras fontes.Canso com o discurso repetitivo e absurdo dos que mercadejam a Palavra de Deus. Já não agüento mais que se usem versículos tirados do Antigo Testamento e que se aplicavam a Israel para vender ilusões aos que lotam as igrejas em busca de alívio. Essa possibilidade mágica de reverter uma realidade cruel me deixa arrasado porque sei que é uma propaganda enganosa. Cansei com os programas de rádio em que os pastores não anunciam mais os conteúdos do evangelho; gastam o tempo alardeando as virtudes de suas próprias instituições. Causa tédio tomar conhecimento das infinitas campanhas e correntes de oração; todas visando exclusivamente encher os seus templos. Considero os amuletos evangélicos horríveis. Cansei de ter de explicar que há uma diferença brutal entre a fé bíblica e as crendices supersticiosas.Canso com a leitura simplista que algumas correntes evangélicas fazem da realidade. Sinto-me triste quando percebo que a injustiça social é vista como uma conspiração satânica, e não como fruto de uma construção social perversa. Não consideram os séculos de preconceitos nem que existe uma economia perversa privilegiando as elites há séculos. Não agüento mais cultos de amarrar demônios ou de desfazer as maldições que pairam sobre o Brasil e o mundo.Canso com a repetição enfadonha das teologias sem criatividade nem riqueza poética. Sinto pena dos teólogos que se contentam em reproduzir o que outros escreveram há séculos. Presos às molduras de suas escolas teológicas, não conseguem admitir que haja outros ângulos de leitura das Escrituras. Convivem com uma teologia pronta. Não enxergam sua pobreza porque acreditam que basta aprofundarem um conhecimento “científico” da Bíblia e desvendarão os mistérios de Deus. A aridez fundamentalista exaure as minhas forças.Canso com os estereótipos pentecostais. Como é doloroso observá-los: sem uma visitação nova do Espírito Santo, buscam criar ambientes espirituais com gritos e manifestações emocionais. Não há nada mais desolador que um culto pentecostal com uma coreografia preservada, mas sem vitalidade espiritual. Cansei, inclusive, de ouvir piadas contadas pelos próprios pentecostais sobre os dons espirituais.Cansei de ouvir relatos sobre evangelistas estrangeiros que vêm ao Brasil para soprar sobre as multidões. Fico abatido com eles porque sei que provocam que as pessoas “caiam sob o poder de Deus” para tirar fotografias ou gravar os acontecimentos e depois levantar fortunas em seus países de origem.Canso com as perguntas que me fazem sobre a conduta cristã e o legalismo. Recebo todos os dias várias mensagens eletrônicas de gente me perguntando se pode beber vinho, usar “piercing”, fazer tatuagem, se tratar com acupuntura etc., etc. A lista é enorme e parece inexaurível. Canso com essa mentalidade pequena, que não sai das questiúnculas, que não concebe um exercício religioso mais nobre; que não pensa em grandes temas. Canso com gente que precisa de cabrestos, que não sabe ser livre e não consegue caminhar com princípios. Acho intolerável conviver com aqueles que se acomodam com uma existência sob o domínio da lei e não do amor.Canso com os livros evangélicos traduzidos para o português. Não tanto pelas traduções mal feitas, tampouco pelos exemplos tirados do golfe ou do basebol, que nada têm a ver com a nossa realidade. Canso com os pacotes prontos e com o pragmatismo. Já não agüento mais livros com dez leis ou vinte e um passos para qualquer coisa. Não consigo entender como uma igreja tão vibrante como a brasileira precisa copiar os exemplos lá do norte, onde a abundância é tanta que os profetas denunciam o pecado da complacência entre os crentes. Cansei de ter de opinar se concordo ou não com um novo modelo de crescimento de igreja copiado e que vem sendo adotado no Brasil.Canso com a falta de beleza artística dos evangélicos. Há pouco compareci a um show de música evangélica só para sair arrasado. A musicalidade era medíocre, a poesia sofrível e, pior, percebia-se o interesse comercial por trás do evento. Quão diferente do dia em que me sentei na Sala São Paulo para ouvir a música que Johann Sebastian Bach (1685-1750) compôs sobre os últimos capítulos do Evangelho de São João. Sob a batuta do maestro, subimos o Gólgota. A sala se encheu de um encanto mágico já nos primeiros acordes; fechei os olhos e me senti em um templo. O maestro era um sacerdote e nós, a platéia, uma assembléia de adoradores. Não consegui conter minhas lágrimas nos movimentos dos violinos, dos oboés e das trompas. Aquela beleza não era deste mundo. Envoltos em mistério, transcendíamos a mecânica da vida e nos transportávamos para onde Deus habita. Minhas lágrimas naquele momento também vinham com pesar pelo distanciamento estético da atual cultura evangélica, contente com tão pouca beleza.Canso de explicar que nem todos os pastores são gananciosos e que as igrejas não existem para enriquecer sua liderança. Cansei de ter de dar satisfações todas as vezes que faço qualquer negócio em nome da igreja. Tenho de provar que nossa igreja não tem título protestado em cartório, que não é rica, e que vivemos com um orçamento apertado. Não há nada mais desgastante do que ser obrigado a explanar para parentes ou amigos não evangélicos que aquele último escândalo do jornal não representa a grande maioria dos pastores que vivem dignamente.Canso com as vaidades religiosas. É fatigante observar os líderes que adoram cargos, posições e títulos. Desdenho os conchavos políticos que possibilitam eleições para os altos escalões denominacionais. Cansei com as vaidades acadêmicas e com os mestrados e doutorados que apenas enriquecem os currículos e geram uma soberba tola. Não suporto ouvir que mais um se auto-intitulou apóstolo.Sei que estou cansado, entretanto, não permitirei que o meu cansaço me torne um cínico. Decidi lutar para não atrofiar o meu coração.Por isso, opto por não participar de uma máquina religiosa que fabrica ícones. Não brigarei pelos primeiros lugares nas festas solenes patrocinadas por gente importante. Jamais oferecerei meu nome para compor a lista dos preletores de qualquer conferência. Abro mão de querer adornar meu nome com títulos de qualquer espécie. Não desejo ganhar aplausos de auditórios famosos.Buscarei o convívio dos pequenos grupos, priorizarei fazer minhas refeições com os amigos mais queridos. Meu refúgio será ao lado de pessoas simples, pois quero aprender a valorizar os momentos despretensiosos da vida. Lerei mais poesia para entender a alma humana, mais romances para continuar sonhando e muita boa música para tornar a vida mais bonita. Desejo meditar outras vezes diante do pôr-do-sol para, em silêncio, agradecer a Deus por sua fidelidade. Quero voltar a orar no secreto do meu quarto e a ler as Escrituras como uma carta de amor de meu Pai.Pode ser que outros estejam tão cansados quanto eu. Se é o seu caso, convido-o então a mudar a sua agenda; romper com as estruturas religiosas que sugam suas energias; voltar ao primeiro amor. Jesus afirmou que não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma. Ainda há tempo de salvar a nossa.
Texto :PR Ricardo Gondim